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PESQUISA, DESENVOLVIMENTO E TECNOLOGIA

O VERENA é o facilitador da iniciativa na Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura a fim de viabilizar um projeto pré-competitivo de desenvolvimento da silvicultura de espécies arbóreas nativas e promover melhoramento genético, sistema de produção, manejo e monitoramento.

Da mesma forma que se tornou um campeão na produção de eucalipto e pinus, o Brasil pode ser um celeiro mundial de madeira tropical e de muitos outros produtos florestais, como sementes, frutos, óleos, látex, fibras, etc. Porém, precisa antes investir num programa de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) para espécies nativas.

Tal investimento é essencial para dar escala à silvicultura de nativas. Ou seja: as melhorias a serem obtidas por um programa de P&D robusto impactarão positivamente a produtividade e garantirão maior previsibilidade de ganhos, o que, por sua vez, diminuirá a percepção de risco e o custo do investimento.

A história recente de investimento em P&D na indústria do eucalipto e pinus no Brasil reforça essa tese. Da década de 1960 para cá, com melhorias genéticas e de técnicas silviculturais, a produtividade saltou de 12 metros cúbicos por hectare para 40 metros cúbicos por hectare, no caso do eucalipto. Ganho semelhante aconteceu com o pinus e certamente pode acontecer com as espécies brasileiras selecionadas.

O VERENA atua em parceria com a Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura no desenvolvimento da plataforma de P&D. Ela é composta por um conselho executivo, para gerir a iniciativa, e um comitê científico, cuja missão é definir estratégias e prioridades.

Os resultados esperados na primeira fase buscam aumentar a produtividade dos produtos e serviços ambientais das principais espécies nativas no caso de solos com baixa aptidão agrícola, tanto para áreas de Reserva Legal (RL) quanto para Áreas de Uso Alternativo (AUA). Nesse tipo de solo, busca-se melhoramento genético e aprimoramento dos sistemas de produção e manejo. Para não dispersar recursos, o grupo irá trabalhar com um número limitado de espécies, selecionadas dentre aquelas com maior valor comercial ou que disponham de uma base de conhecimento avançada.

O melhoramento genético tem como referência programas de sucesso já atestados em plantios de espécies como eucalipto e pinus. Os sistemas de produção, por sua vez, abrangem aspectos como trato silvicultural, controle sanitário, consórcios e distribuição espacial de plantios, tecnologia da madeira, processamento e utilização da madeira, frutos, óleos e resinas. O monitoramento diz respeito à concentração de todo o conhecimento produzido sobre as espécies escolhidas.

O desenvolvimento de cada um desses pilares requer envolvimento e esforços de institutos de pesquisa, governos, universidades, empresas, ONGs e especialistas. Testes de médio e longo prazos, em campo e em laboratório, também são decisivos para o sucesso do desenvolvimento silvicultural, econômico e social das espécies nativas em um determinado local, principalmente, considerando a grande extensão do território brasileiro e os diferentes biomas e regionalismos.

Árvores nativas da Mata Atlântica e da Amazônia são o foco inicial, devido à abrangência desses dois biomas e à adaptabilidade de suas espécies a regiões de transição, como o Cerrado. O financiamento da plataforma deve vir de investimento público com contrapartida de investimento privado, com possível hedge do Fundo Amazônia (por desmatamento evitado). Atingido um determinado grau de progresso, cada produtor passará a investir em melhoramentos específicos, de acordo com o negócio.