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PERGUNTAS E RESPOSTAS

Qual é a diferença técnica entre reflorestamento, restauração florestal e recuperação de áreas degradadas?

Vamos a elas:

* Restauração florestal é a atividade que visa auxiliar na recuperação de um ecossistema florestal nativo, buscando atingir condições similares de composição, estrutura e funcionamento aos dos remanescentes florestais de referência (Adaptado de Aronson et al. 2011).

* Reflorestamento é a plantação de árvores nativas ou exóticas, em povoamentos puros ou mistos, para formação de uma estrutura florestal em área que era florestal e foi desmatada. Essa é a definição do termo em português. Em inglês, reforestation tem sido usado como antônimo de deforestation, ou seja, como sinônimo do que chamamos de restauração florestal (Adaptado de Aronson et al. 2011).

* Recuperação de áreas degradadas é o conjunto de atividades que pretendem melhorar as condições ambientais de uma dada área degradada, visando restabelecer total ou parcialmente suas funções ecológicas e produtivas, mas sem que se chegue necessariamente à restauração florestal (Adaptado de Aronson et al. 2011).

Fontes: Aronson, J.; Durigan, G.; Brancalion, P.H.S. 2011. Conceitos e definições correlatos à ciência e à prática da restauração ecológica. IF Série Registros 44:1-48, e Brancalion, P.H.S, Gandolfi, S., Rodrigues, R.R. Restauração Florestal. Editora Oficina de Texto, 2015. 429 pp.

Se plantar espécies nativas dá retorno, por que esse negócio ainda não pegou no Brasil?

Entre os vários fatores que têm concorrido ao longo do tempo para inibir o plantio de nativas, três podem ser destacados. O alto índice de ilegalidade é o primeiro, à medida que rebaixa o preço de madeiras tropicais, muitas vezes nobres, a patamares que não remuneram o investidor que faz manejo adequado, registra seus profissionais e investe em tecnologias e melhoramentos. A falta de linhas de financiamento aderentes às características da atividade, como o longo ciclo de produção, é outro fator que gera dificuldades. E, por fim, há a própria legislação, em alguns pontos contraditória ou interpretada de maneira equivocada, que torna espécies nativas intocáveis, ignorando que pode haver um plantio com finalidade estritamente comercial capaz de ser ao mesmo tempo virtuoso para o meio ambiente e para a biodiversidade e propulsor de desenvolvimento regional.

O VERENA dá consultoria sobre plantio de nativas?

Não exatamente. O VERENA está levantando, sistematizando e disseminando conhecimentos hoje dispersos sobre a cultura de espécies nativas e, em conjunto com a Coalizão Brasil Climas, Florestas e Agricultura, trabalha para criar uma plataforma de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) pré-competitiva para a silvicultura tropical. Portanto, o VERENA não oferece consultoria, mas todas as informações técnicas sistematizadas pelo projeto e a modelagem econômica estarão disponíveis aos interessados.  

O VERENA faz a intermediação comercial de nativas? Ou de linhas de financiamento para esse investimento?

Não. O VERENA não vende nada, mas cria condições para atrair investidores e aumentar o volume de investimentos. Seu papel é estrutural, no sentido de estudar e levantar mercados potenciais, desenvolver modelos econômicos robustos e proporcionar às instituições financeiras novos e confiáveis paradigmas do plantio de espécies nativas brasileiras, para permitir o redimensionamento de riscos e o desenho de ofertas de crédito compatíveis com as características desse ciclo de produção. Atua também na frente de políticas públicas, recomendando medidas alavancadoras dessa economia.

O VERENA divulga informações estratégicas dos casos analisados?

O VERENA se dedica a estudar e organizar os fundamentos e resultados dos perfis produtivos analisados, o que, em certa medida, engloba aspectos estratégicos de um negócio. O projeto tornará público um volume significativo de informações para fomentar a construção dessa nova economia florestal. Mas tudo será devidamente acordado antes com os investidores que aceitarem cooperar. Informações confidenciais serão respeitadas como tal.  

Os investidores dos casos analisados têm acesso a informações privilegiadas?

Não. O VERENA é uma plataforma pública, que tem o objetivo de fomentar o plantio de espécies nativas por acreditar que o bom resultado econômico dessas iniciativas será fundamental para alavancar projetos de sustentabilidade ambiental e social, que, efetivamente, contribuam para o cumprimento dos compromissos de restauração florestal assumidos pelo Brasil no Acordo do Clima.  

O VERENA acha que o governo deve subsidiar o plantio de nativas?

O governo deve subsidiar o plantio de nativas tanto quanto fomenta qualquer outra atividade produtiva aderente ao modelo de desenvolvimento sustentável que precisa adotar — premente, aliás — na chamada economia de baixo carbono. É tão correto e urgente fomentar o plantio de nativas quanto o aumento da geração de energia limpa. Grande parte da contribuição brasileira para a solução do desafio climático reside na ampliação do plantio florestal em iniciativas de larga escala. Em áreas sensíveis e prioritárias para a produção de serviços ecossistêmicos — por exemplo, as bacias hidrográficas que contribuem para a produção de água em mananciais de abastecimento público —, os mecanismos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) devem ser incentivados para manter e ampliar a cobertura florestal nativa pelo importante papel que essas florestas desempenham na manutenção da qualidade da água.  

O VERENA concorda com a monocultura de nativas?

Sim, claro. Trata-se de produção comercial, e a monocultura de nativas é um dos perfis produtivos que constam do Contínuo Florestal, que embasa as modelagens do VERENA. Mas é importante notar que se trata do cultivo em áreas já degradadas e não de desmatar florestas para introduzir uma monocultura de nativas. Também convém considerar que não existe monocultura absoluta, nem mesmo no cultivo do eucalipto, onde espécies diferentes ocupam a mesma área ou estão interligadas a fragmentos florestais e formam corredores ecológicos. A evolução só acontece quando há diversidade. Vale destacar ainda que, em Reservas Legais, a legislação veda o plantio homogêneo e o corte raso de espécies nativas, já que os focos nessas áreas são a geração de serviços ambientais, a preservação da biodiversidade e o uso econômico de baixo impacto.  

O plantio de nativas é uma alternativa também para o pequeno e médio produtor rural?

Sem dúvida. As modelagens em andamento no VERENA ainda não focam nesse público, mas avançarão nesse sentido. Mesmo sem estudos específicos é possível vislumbrar vantagens para o pequeno produtor que resolva investir em nativas na sua área de Reserva Legal (RL), por exemplo. Para ele, a RL é hoje um passivo ambiental, ao passo que, com o plantio de nativas, pode se tornar produtiva, alavancando renda complementar pelo manejo de produtos florestais não-madeireiros. Além disso, há a possibilidade de unir vários produtores pequenos em um empreendimento comum.  

Como se dá a cotação dos produtos florestais?

Eles não são commodities e, portanto, não são cotáveis em bolsa. No caso da madeira, em particular, o atrativo não é a madeira em si, mas, sim, os negócios dela derivados. Verticalizar ou não a produção é uma decisão que o investidor precisa tomar ainda no plano de negócios. Um exemplo é o paricá, usado para produzir laminados. Em Paragominas (PA), já há toda uma rede de empresas de laminação que podem ser clientes de quem se dedique apenas ao plantio do paricá; já no Tocantins, quem resolvesse plantar paricá ficaria muito mais competitivo ao verticalizar a produção até a fabricação do compensado.  

O VERENA concorda com a exploração madeireira em Reserva Legal? Qual é a posição do VERENA sobre o destino da Reserva Legal — preservação ou conservação?

Sim, é possível, mas tomando-se a conservação da paisagem como premissa. Assim como definido na Lei de Proteção da Vegetação Nativa (12.651/12), é assegurado o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais em Reserva Legal, desde que este contribua para a conservação e a reabilitação dos processos ecológicos e promova a conservação da biodiversidade, gerando abrigo e proteção à fauna silvestre e à flora nativa. O manejo de uma Reserva Legal constituída por um fragmento natural em muito difere daquele proposto para uma área recuperada/restaurada. Embora em ambos os casos a exploração de produtos madeireiros e não-madeireiros devam assegurar as funções ecológicas definidas, a área recuperada/restaurada pode ser planejada e implantada de modo a facilitar e potencializar o uso econômico, tornando-se eficiente tanto na geração de produtos, quanto na conservação da natureza. Preservação e conservação podem parecer a mesma coisa, mas referem-se a duas correntes ideológicas muito distintas no que diz respeito à relação do homem com a natureza. Enquanto os preservacionistas defendem que as áreas naturais devem ser mantidas fora de qualquer interferência humana, os conservacionistas defendem a possibilidade de manejo sustentável dos recursos naturais (ou restaurados) de um dado ecossistema. Ao assegurar a possibilidade do uso econômico sustentável, o conceito de Reserva Legal definido em lei considera uma abordagem conservacionista. Em certas situações, por seu caráter prioritário de provimento de serviços ecossistêmicos e/ou de preservação de uma biodiversidade específica, a Reserva Legal pode merecer uma abordagem mais preservacionista. No entanto, a decisão por esse tipo de abordagem deve vir acompanhada de uma análise de custo-benefício e estratégias de pagamento por serviços ambientais que viabilizem sua manutenção no longo prazo.  

O VERENA está alinhado com a política nacional de florestas plantadas?

O VERENA está em consonância com os princípios da Política Agrícola para Florestas Plantadas, que envolve a produção de bens e serviços florestais para o desenvolvimento social e econômico do país e a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Tais objetivos se traduzem em:

     * aumento da produção e da produtividade das florestas plantadas;
     * utilização do potencial produtivo de bens e serviços econômicos das florestas plantadas;
     * diminuição da pressão sobre as florestas nativas;
     * melhoria da renda e da qualidade de vida no meio rural, notadamente em pequenas e médias propriedades;
     * integração entre produtores rurais e agroindústrias que utilizem madeira como matéria-prima. 

O VERENA acha que plantar eucalipto faz parte da agenda de reflorestamento e restauração do Brasil?

Os números indicam que esse é um negócio de valor econômico e social de sucesso e robusto, que não deve ser desprezado e, ao contrário, pode ser utilizado como referência para que as florestas nativas tenham uma economia semelhante. A indústria hoje denominada “floresta plantada”, que faz referência principalmente às culturas de eucalipto e pinus, ocupa diretamente no cultivo uma área de 7,8 milhões de hectares. Para manter esses plantios com finalidade econômica, as empresas destinam 5,6 milhões de hectares à conservação, somando 13,4 milhões de hectares de área total. O negócio gera uma receita bruta correspondente a 6% do Produto Interno Bruto Industrial e 3,8 milhões de empregos diretos, indiretos e resultantes do efeito-renda. É responsável ainda por 4,7% das exportações brasileiras e por 0,9% ou R$ 11,3 bilhões em tributos federais, estaduais e municipais, segundo dados da Indústria Brasileira de Árvores — Ibá (2015). Entretanto, o VERENA entende que o monocultivo de tais espécies já está consolidado e não há necessidade de colocar esforços nesse modelo. Por outro lado, não descarta a utilização do eucalipto em modelos mistos com nativas, expresso no contínuo florestal, onde esse tipo de plantio pode auxiliar na obtenção de retorno econômico em curto prazo.